martes, 13 de octubre de 2009

Remédio para Curitiba:


A realidade tem que ser encarada. Sem subsídios e penalizações, não vamos melhorar a situação jamais. O que então é necessário para melhorarmos o trânsito em Curitiba?

Primeiro: Melhorar o transporte público, dotando o serviço da condição de integração temporal em toda a RIT, ou seja: - Uma vez que o cidadão embarque em um ônibus, ele terá um determinado tempo a partir de haver “ticado” seu cartão ou ticket de transporte, (que em outros países costuma ser de 75 a 90 minutos este tempo, que evidentemente estudos específicos irão dizer qual o tempo necessário para a realidade local) durante o qual, ele poderá trocar de linha de ônibus, sem pagar outra passagem. Assim, toda a rede ficaria realmente integrada. O Cidadão poderá desembarcar de um ônibus, caminhar quatro ou cinco ou 10 quadras e embarcar em outro. Nesse meio tempo, poderá fazer um lanche, ir ao banco etc..., só não poderá retornar pela mesma linha, nem tão pouco seguir viaje.

Segundo: A melhora do transporte coletivo, passa também pela necessidade de melhorar a caminhabilidade de toda a cidade. Nossas calçadas (quando existem) são péssimas. A cidade tem todo um desenho, uma legislação, etc. que jamais se preocupou em atender às necessidades das pessoas em caminhar. A maldita pedra irregular, que reveste a grande parte das calçadas do entorno central da cidade, é um material criminoso. Com calçadas melhores, a caminhabilidade e a acessibilidade, serão favorecidas e com isso, as pessoas se animarao a ir ao ponto de ônibus e quando dele saltarem, em caminhar até seus destinos.

Tereceiro: Criar uma rede de ciclovias, que desemboquem nos terminais da cidade, com estacionamentos (bicicletários) e empréstimos de bicicletas junto a eles. Esse item, é igualmente praxe nas cidades européias e tem demonstrado uma eficiência tremenda na redução do uso do automóvel, além das conseqüências da melhoria ambiental (qualidade do ar, níveis de ruído) e da sociabilidade, pois em bicicleta, se pode facilmente ir conversando descontraidamente, com seu vizinho...

Quarto: Aplicar subsídios ao transporte coletivo e na medida do possível torná-lo público. Subsídios estes, com origem em impostos já existentes e com a criação de novos tributos em cima dos combustíveis da linha leve (álcool e gasolina), fazendo com que o usuário do veículo privado, contribua com o sistema de transporte coletivo, não impondo restrições ao seu uso, mas sim imputando algum tributo que seria revertido em favor do sistema coletivo. Com isso, poderia haver inclusive a migração de usuários do automóvel privado ao transporte coletivo e subseqüente redução dos congestionamentos e melhorias sócio-ambientais derivadas desse fato. Quem sabe possamos um dia ainda ter o transporte público e gratuito?!.

Quinto: Adotar para a Zona Central de Tráfego, (ZCT) - Decreto Municipal n.º 934, de 11 de setembro de 1997, que tem seu perímetro delimitado pelos seguintes logradouros públicos: Partindo da Rua Augusto Stellfeld,esquina com A Rua Francisco Rocha, segue por esta até a Praça Do Japão, contornando-a ate a Avenida Republica Argentina, segue por esta ate a Avenida Silva Jardim, por esta até a Rua Mariano Torres, por esta até a Avenida Presidente Affonso Camargo por esta até a Rua Ubaldino do Amaral (Viaduto Capanema), por esta até a Rua Conselheiro Araújo, por esta até a Rua Luiz Leão, por esta até a Avenida João Gualberto, por esta até a Rua Ivo Leão, continua pela Rua Lysimaco Ferreira da Costa, por esta até a Rua Nilo Peçanha, continua pela Rua Trajano Reis ate a Rua Jaime Reis, por esta até a Alameda Dr. Muricy, por esta até a Rua Augusto Stellfeld, por esta até a Rua Fernando Moreira, por esta até a Rua Desembargador Mota, por esta até a Rua Augusto Stellfeld e por esta até Rua Francisco Rocha, o pedágio urbano para veículos, dotando seus limites de estacionamentos dissuasórios.

Sexto: Campanhas publicitárias massivas, incentivando o uso do transporte público, do caminhar e da bicicleta em lugar do veículo, evidentemente após haverem sido melhoradas as calçadas, criada a rede de estacionamento de bicicletas e pontos de empréstimo nos terminais, integrado o sistema de maneira não física e sim temporal, melhorado a comunicação e a informação sobre as linhas de ônibus, horários e freqüências dos mesmos nos pontos de ônibus, implantada a tributação e a desoneração do custo das passagens através dos subsídios e o pedágio urbano no centro.

Sétimo: Em casos mais extremos, poder-se-ia adotar a limitação de novas licenças ou emplacamentos a veículos particulares, até mesmo a limitação total por algum tempo, pois não se emplacando novos veículos, não haveria o crescimento da frota local. Esta medida, é dura e antipática e nem por isso, quer dizer que evite que se licenciem veículos em cidades vizinhas e que sejam de moradores de Curitiba, mas se de repente todos os municípios vizinhos adotassem a mesma política???...

2 comentarios:

  1. Roberto

    Parabéns pelo seu trabalho


    Excelentes sugestões, a questão é: o povo de Curitiba quer discuti-las? Consegue entender que precisa mudar hábitos? Cuidar de suas calçadas, deixar de usar o transporte individual, valorizar o transporte coletivo, aceitar custos para torná-lo mais eficaz?
    Politicamente, ter mais cuidado ao eleger seus vereadores e prefeito, por exemplo?
    O Brasil está ainda em uma fase rústica e inculta, com dificuldades de entender o que a democracia impõe.
    As dificuldades em torno da administração das cidades partem daí.
    Curitiba preocupa muito pois é considerada modelo de urbanismo.
    Se outras cidades copiarem seus erros teremos a ampliação dos problemas que enfrentamos em escala nacional.
    Isso não é bom para todos nós.
    Abraços

    João Carlos Cascaes
    http://cidadedopedestre.blogspot.com/

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  2. Beto,
    Infelizmente este parece ser um trabalho de longo prazo e que cada vez ficará mais longo, por nunca se tomar a iniciativa de abrir os primeiros passos para a discussão. A sociedade talvez não esteja disposta a debater a idéia como um todo e o tema acaba aparecendo em época de campanha eleitoral (basta lembrar de todos os projetos apresentados na campanha passada e que foram para o lixo). Há a necessidade de se implantar, de forma cuidadosa e estudada, por alguém (pessoa, grupo ou partido, não importa) que esteja pensando na "cidade de todos" e não no seu destino nas próximas eleições. Quando o assunto é levado para a academia, carece muitas vezes de perfil prático ou de conhecimento do que é realmente factível. Criamos secretarias, cargos e até Ministério das Cidades mas pensa-se sempre com o imediatismo de urbanizar as favelas, que podem trazer votos mas nunca se pensa na cidade do futuro, e o futuro logo vira presente e passamos rapidamente a criticar o passado.
    Onde achar pessoas interessadas em discutir, além da prancheta escolar e do período eleitoral?

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