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domingo, 30 de agosto de 2009

"ame-o ou deixe-o"


Costumo dizer que ao Brasil não volto a viver nem amarrado e cada vez mais a afirmação ganha consistência. Os maiores responsáveis por essa quase denuncia, pode ser uma derivada primeira da atuação da classe política local.

Problemas como a educação – deixada de lado a muito, no tempo da ditadura, e transferida ao poder privado, que fez do ensino um grande negócio, mais mesmo do que algo de qualidade – vemos cursos universitários custando valores mensais muito superiores aos salários que o mercado define para quando formado naquela área e a qualidade baixíssima.

Em conversa com o coordenador de um curso de doutorado – que esse nem se fala, custa o olho da cara – me disse que a primeira vez que no Paraná teve uma professora universitária com doutorado em planejamento urbano, foi em 1997 (Yara Vicentini). Assim fica fácil entender porque o urbanismo nas universidades é comparado com projetos de “grande escala” e praticamente inexistente como ciência.

Entre 2005 e 2007, o Enade avaliou 50 cursos e procurou descobrir como se comportam os estudantes. Em 42 cursos (84% do total) o exame verificou que a maioria dos estudantes se formou sem desenvolver nenhum tipo de atividade acadêmica além daquelas obrigatórias. Com relação à iniciação científica, em 43 cursos (86%) a maioria respondeu que não se envolveu em projeto de pesquisa, por falta de interesse ou de oportunidade.

A segurança – uma vergonha – mata-se mais gente no Brasil do que em guerras como do Vietnã e do que em Bagdá e São Paulo tem 10 vezes mais e o Rio 5 vezes mais homicídios que Paris e Londres juntas. Quero paz!

A saúde teve a criação de uma medida provisória, a CPMF para fazer frente às necessidades de caixa para melhorar a atenção primária. Dita contribuição, segundo estudos, seria suficiente arrecadar por um ano. Ficaram quase 10 e nenhum centavo foi aplicado no sistema de saúde. Até o Jatene pediu o boné!

Agora, o pré-sal, que poderia ser a rendição econômica do país, pois se as coisas forem como diz a Petrobrás e não como a BG inglesa – que encontrou um poço seco – estaríamos com reservas de petróleo para abastecer o mundo e com isso poder arrecadar para solucionar alguns problemas como a educação, a saúde e claro a pobreza, agora já é objeto eleitoreiro dos governadores dos estados (Rio, ES e SP) onde existem os indícios.

Políticos – com as maiores mordomias do planeta, podem distribuir passagens aéreas até para putas e tem auxilio para todo tipo de circunstâncias inerentes com o exercício de seus mandatos (paletó, gasolina, despesas de viagem, etc...) e que obrigam a todo o cidadão, sob pena da perda de seus direitos a votar.

Os que não são corruptos, são despreparados e o pior, são formadores de opinião e dão o mau exemplo ao cidadão comum, que deveria espelhar-se neles, mas pela decepcionante forma como se portam, e não são punidos (gozam de imunidade parlamentar), refletem assim o que de pior pode existir no comportamento das pessoas, que é o abuso do poder e a impunidade.

Que o pré-sal não vire outra versão da CPMF e que a eleição de 2010 não passe fatura de reelegermos e elegermos a corruptos e despreparados. Que o Brasil não torne novamente a por em risco a pessoas que como eu, fomos criados baixo a um lema da época da ditadura: “Brasil – ame-o ou deixe-o” e que no meu caso, foi ainda que bem mais tarde a opção número 2 a escolhida...