jueves, 8 de marzo de 2012

30 anos "de-formado"


Ontem, sete de março, há 30 anos (1982) foi a minha formatura como engenheiro civil.

Éramos jovens engenheiros entrando em um mercado de trabalho bastante obscuro. O Brasil vivia o fim da ditadura militar e o início da transição à democracia, mas ao mesmo tempo uma situação econômica das mais drásticas.

Passado este tempo todo, creio que foi muito positivo todo o aprendizado acadêmico, mas ao mesmo tempo, posso afirmar que a vida em si nos ensina mais sempre que as equações diferenciais e as integrais que a matemática nos faz compreender.

Como profissionais, por este tempo todo, já não temos também mais desejos disso ou daquilo. Fui funcionário público por 10 anos e inconformado com a submissão destes aos políticos eleitos para aceder a cargos maiores me tornei empresário por outros 10 anos e ali vivi o maior calvário com toda a maracutaia inerente a isso (ações trabalhistas, falta de crédito, inflação que desvalorizava os contratos, morosidade dos contratantes frente aos serviços prestados, etc.). Os últimos 10 anos foram de reflexão e trabalho temporário (já na Europa).

Agora, me considero retirado. Só vou dedicar-me a trabalhos pontuais e interessantes. A final a deformação do nosso estado anímico foi tal, que já não temos mesmo nem ânimo, nem o desejo de fazer isso ou aquilo, nem mesmo as pretensões de ganharmos grana com nosso conhecimento.

lunes, 23 de enero de 2012

Ano do Dragão.


Inicia hoje no calendário “chino” o ano do Dragão. O animal mais importante do zodíaco. Prosperidade, fortaleza e tranqüilidade são algumas das características propostas para esse ano. Coincide em algo com o calendário Maia que termina um ciclo em dezembro deste ano – alguns mais apocalípticos dizem tratar-se do fim do mundo.


Este ano, estaremos, portanto fortes, tranqüilos e prósperos. Espero que a energia seja positiva e que possamos “soltar fogo pelas ventas” para que as injustiças sejam minimizadas e os conceitos sociais sejam revalidados assim como os direitos humanos, que cada vez são mais deixados de lado pelo individualismo dos poderosos.


Sejamos, pois Dragões. Fortes e indignados com a situação que nos hão metido os poderosos detentores do capital mundial, cujo único interesse é o pessoal e em específico o de aumentar suas fortunas doa a quem doer. Sejamos, pois Dragões e prosperemos. Sejamos fortes e tranqüilos...

martes, 3 de enero de 2012

El Pueblo y la Casita Bonita


En la Alcarria (Highlanders) esta situado el pueblo de Villar del Infantado.


En el ano 2011, buscábamos una casita para comprar. Tenia que estar en un lugar precioso. Un pueblo que nosotros gustase y que sobre todo el pueblo gustara de nosotros… Después de una inmensa y nada aburrida procura, en los seis primeros meses del ano pues hemos vistos cosas impresionantes como palacetes del siglo XIV igualmente cotizados como unas ruinas que a algunos les parecía bien llamar a vivienda o casa…


Por fin, el mes de julio, la encontramos y ella a nosotros. “La Casita Bonita” – anteriormente vivienda de Don Dionisio Beneit, desde el año 1900 – que los, o mejor “las” herederas nos han vendido. Está ubicada en dicho pueblo: Villar del Infantado. En la provincia de Cuenca en Castilla La Mancha, en lo que es la Alcarria Cuenquense.


No es (o bien es) coincidencia. Hubo una agrupación Celta en lo que va de historia del poblado, después han venido los romanos… Talvez las tierras altas – significado de la palabra alcarria – pueda tener alguna connotación con los sajones Celtas, pero indiscutiblemente es un pueblo precioso…


Encuéntrase muy cerca del embalse de Sacedón (Guadalajara) y está a casi 800 metros de altitud sobre el nivel del mar. Tiene un cerro (o bien una enorme roca) en su frontal, que se pone unos 150 metros más alto todavía y un río que tiene baños para el acalorado verano, bien como peces si acaso apetecer pescarlos…


La Casita Bonita esta quedando – poco a poco – en lo que habíamos imaginado. Esto diciembre hemos quedado 26 de los 31 días en el pueblo e tan solamente otros 5 en Madrid… Estamos encantados! Esperamos en el futuro próximo disfrutar mas y mas y con los amigos y familiares de esto precioso rincón que añadimos a nuestro humilde patrimonio…

martes, 13 de diciembre de 2011

Sócrates “o homem que caiu na terra”…






Thomas Jerome Newton, ou algo assim, era o personagem interpretado pelo genial David Bowie (The man who fell to Earth). Um extraterrestre que veio a terra com uma missão pessoal e clara: - Levar água ao seu planeta, onde ali o aguardavam sua mulher e filha, sedentas...

Ele tinha algumas coisas interessantes para usar como moeda de troca aqui em nosso planeta, para com isso poder empreender um projeto de uma espaçonave adequada para voltar a casa e levar a tão preciosa água aos seus. Patenteou alguns inventos e com os royalties e benefícios econômicos dos mesmos começou seu projeto.

Ocorre, que ao longo da trama, ele se “contamina” por vícios terrestres (bebida, redes de comunicação, etc...) e seu projeto fracassa... Ele vira um alcoólatra e acaba gravando um disco... o triler dá a entender que ele fica por aqui mesmo...

Sócrates Brasileiro, ou algo assim, médico, não sei por que faculdade (penso que em Ribeirão Preto)... “mientras tanto”, jogou futebol e foi profissional pelo Botafogo de Ribeirão Preto e depois pelo SC Corinthians Paulista, onde com outros companheiros (Vladimir, Casagrande entre outros) estabeleceram a “democracia corintiana” que acabou pondo fim ao ciclo do então “eterno” presidente Vicente Mateus... Foi titular absoluto na seleção brasileira no talvez melhor “selecionado” de todos os tempos (Telê Santana)... Um craque!

Com a democracia corintiana, liberou geral e começou a consumir álcool e cigarros (até mesmo no vestiário). Teve ainda um irmão boleiro (Raí, “bambi”, garoto bonzinho que foi campeão mundial interclube pelo SPFC...) que contrasta com seu perfil de cachaceiro, maconheiro e fumante entre outras... Gravou um disco (Peguei um ita no norte e fui pro rio morara... Adeus meu pai minha sorte, adeus Belém do Pará...)...

Agora o cara se foi da terra... A cirrose o levou. Alguma semelhança com o Thomas ou apenas mera coincidência? Seria um a continuação do outro???

lunes, 28 de noviembre de 2011

20N – Novo governo em España.


O resultado das eleições gerais, ocorridas há uma semana na España há deixado claro, que o governo socialista encabeçado por José Luiz Rodriguez Zapatero, não foi capaz de ter aprovação popular. O desemprego atingiu os 22% da PEA (mais de 5 milhões de “parados”) e o estancamento do crescimento econômico se faz sentir em toda a cadeia de produção e consumo.

Os “populares”, eleitos com maioria absoluta, terão um enorme peso sobre seus ombros, que será o de ressuscitar o emprego – que, diga-se de passagem, tem uma péssima organização e gestão, desde sua estrutura laboral em si (forma de contrato e custos diretos) como também na qualidade dos recursos humanos, que são uma verdadeira loucura.

O setor que foi motor da economia española por muitos anos, desde o “boom” do final dos anos 80: “A construção civil”, que deu gás ao sistema financeiro e hipotecário e endividou boa parte da população trabalhadora, em mãos de 5 grandes empresas e com uma cadeia infinita de sub-contratados, quando do inicio da “crise”, decidiu que o “1 milhão” de apartamentos que tinham em estoque, seria suficiente para os próximos anos e que não mais iriam construir nada – a não ser obra contratada; e tiraram férias...

Os empregados do setor foram gradativamente perdendo seus postos de trabalho e em seguida por efeito dominó, os demais setores. As hipotecas deixaram de ser pagas e a morosidade deflagrou um grande numero de ações de despejo e uma situação de confrontação entre credores e devedores e as associações de mutuários e vizinhos, com a polícia e a justiça...

Vamos ver o que vai ocorrer em 2012. Se acaso se reaquece a “burbuja inmobiliaria” o desemprego seguramente diminuirá, porém o endividamento da população voltará a crescer através de novas e caras hipotecas. Se isso não ocorrer, dificilmente se restabelecerá os empregos (agricultura extensiva e mecanizada, indústria idem, comércio dependente do setor produtivo – tempos modernos!!!).

Esperar para ver com que armas irá o governo popular, encabeçado por Mariano Rajoy atacar aquilo que em minha modesta opinião já não existe mais: os empregos formais...

domingo, 27 de noviembre de 2011

Deus “Money”…


Indignados, que não tem um objetivo muito claro, nem mesmo são capazes de visualizar como conseguir o que querem, estão mostrando nas ruas de Madrid e do mundo, a falência deste sistema baseado no capital, que transformou o “vil metal” no Deus maior da sociedade.

Hoje, políticos se rendem à economia e aos mercados. Somos incapazes de pensar em diminuir o consumo e modificar nossos hábitos cada vez mais gananciosos. A qualidade mais louvável pela sociedade, de um “humano”, atualmente está no seu saldo bancário e no seu poder econômico.

As nações são injustas e em raros casos não contrastam o que dizem com o que fazem, pois proclamam o direcionamento de suas políticas em busca da paz, da harmonia e da equidade, mas o que fazem é a guerra e políticas de restrições, que só mesmo redundam na maior separação entre ricos e pobres, fortes e fracos...

A guerra é em último caso, causada por fanatismos religiosos e por pseudo-necessidades de conquistas econômicas, nas quais o “ouro negro” é o objetivo principal, para poder seguir crescendo a economia dos países desenvolvidos.

A mim, só resta torcer um pouco aos românticos e aos terroristas, que através de suas ações, dão a conhecer outro foco além da podridão desse sistema que endeusa ao capital e situam sempre a produção e o consumo na mira do crescimento e do bem estar.

Quem sabe possamos ser felizes sem tanta tecnologia e sem tanto o que poder comprar, pois pensemos naqueles que não podem fazê-lo e que por tanto se sentem frustrados e diminuídos, além é claro da insustentabilidade. Assim, nada como diminuir as economias e o setor financeiro do planeta, para que tenhamos um novo paradigma que não seja um Deus Money. Pense!!!

martes, 15 de noviembre de 2011

A república dos bandidos.


Hoje 15 de novembro de 2011, fui surpreendido quando estava vindo à casa de compras no mercado por um telefonema, que vinha da casa da minha mãe (Curitiba-BR). Logo pensei que será, afinal ela tem 90 anos!... era meu filho (32) que me tranqüilizou dizendo que nada, mas que lhe havia ocorrido algo muito “chato”: ontem ao regressarem do litoral (ele e a patroa – 26), depois de haver passado no supermercado, ao chegarem no portão de casa, foram atracados por 3 pivetes que com armas nas mãos os renderam fazendo-os reféns amarrados com os cadarços dos tênis no banheiro, presenciaram a pilhagem dos objetos de valores e pessoais pelos pivetes, que em 10 minuto fizeram a limpa e fugiram no carro deles, que estava em frente ao portão de casa.

Essa é a república dos bandidos... Uma sociedade hipócrita que desde a ditadura Vargas e depois com os militares segue ainda hoje com a “democracia”, sendo reprovada no sentido de justiça. Aliás, pensando bem, e para isso sugiro a leitura de “1808” do paranaense Laurentino Gomes...

De nada adianta crescimento econômico neste cenário que existe no país. Curitiba vem tendo 10 homicídios por final de semana e a hipocrisia das demandas de padrão social, acentuam a cobiça e movem a indústria do roubo que seguramente é usado como moeda de troca por drogas e armas junto aos banqueiros do crime e a coisa cresce...

O filho, já vivenciou fazem 3 anos uma limpa em sua casa. Na ocasião haviam voltado de núpcias e foram a viver na casa nova...Primeiro dia de trabalho e ao voltarem pra casa...nem mesmo as fotos da viagem haviam sido descarregadas da câmara e se também houvesse sido igual daria pois levaram os laptops, os HD’s etc...

Vivo fora do Brasil há mais de 10 anos, na “España” propriamente dito e minha filha também. Ainda tenho o filho e a mãe que vive por aí (Curitiba). Meu conselho para eles, sempre foi e será o mesmo: Venham embora... Aí não é um lugar seguro... Agora sou um pouco mais enfático e digo: Venham embora... Aí é um lugar perigoso - é a 84ª nação do mundo desde a ótica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - e essa lacra para mim, já é hoje algo que não consigo mais conviver...

viernes, 4 de noviembre de 2011

Seven Types of Capital City

According to Petter Hall at "Planning Twentieth Century - Capital Cities", the capitals are classified into seven types (Seven Types of Capital City).

This relationship transcribed from the original text, is Rio de Janeiro and Brasilia among Brazilian capitals. A good exercise is to classify the others by this criterion.
1- Multi-Function Capitals: combining all or most oft the highest national-level functions (London, Paris, Tokyo Madrid, Stockholm, Moscow).
2- Global Capitals: a special case of (1), representing cities that also perform super-national roles in politics, commercial life or both (London, Tokyo).
3- Political Capitals: created as seats of government, and often lacking other functions which remains in older-established commercial cities (The Hague, Bonn, Washington, Ottawa, Canberra, Brasilia).
4- Former Capitals: Often the converse of (2); cities that have lost their role as seat of government but that retain other historic functions (Berlin, from 1945 to 1994, St Petersburg, Philadelphia, Rio de Janeiro).
5- Ex-Imperial Capitals: A special case of (3), representing former imperial cities which have lost their empires though they may function as national capitals, and may also perform important commercial and cultural roles for the former imperial territories (London, Madrid, Lisbon, Vienna).
6- Provincial Capitals: A special case in the federal nations, overlapping with (3) ; cities which once functioned as de facto capitals, sometimes on a share basis, but have now lost that role, retaining however functions for their surrounding territories (Milan, Turin, Stuttgart, Munich, Montréal, Toronto, Sidney, Melbourne). New York is a very special case here, almost sui generis, of a global provincial capital.
7- Super Capitals: functioning as centres for international organizations; these may or may not be national capitals (Brussels, Strasbourg, Geneva, Rome; New York).

jueves, 27 de octubre de 2011

Caso e descaso - a mobilidade e o urbanismo

O CASO GERAL

A maioria dos planos urbanísticos vigentes em geral não toma em conta o transporte público y tampouco são integrados em escala metropolitana, ou seja, não existem políticas consonantes respeito a uso do solo e transporte nem também uma política comum entre todas as municipalidades das zonas metropolitanas.

Em raros casos, as atuações formalmente expressas através dos planos urbanísticos pactuam o desenvolvimento urbanístico e uso do solo com as infra-estruturas de transporte publico. Isto faz com que o aproveitamento do transporte público não seja valorizado no desenvolvimento urbano.

As políticas de interesse metropolitano, em geral, são quando muito, composições institucionais de diversas políticas municipais e não em ser uma política pluri-municipal adequada aos interesses de todas as municipalidades. São em última análise políticas compensatórias para os municípios prejudicados pelo processo de metropolinizaçao.

Em geral, os principais municípios – o núcleo da metrópole – têm consciência da sua importância no cenário metropolitano, ao mesmo tempo em que assume de forma direta ou indireta o controle de certos serviços públicos de interesse pluri-municipal, sem, todavia existir una clara definição institucional dos mesmos.

Uma das principais dificuldades para o desenvolvimento de modelos de gestão para regiões metropolitanas reside justo em definir claramente uma diferenciação do que é efetivamente de competência metropolitana, e o que é de competência local e então, para sua regulação como tal, a criação de marcos institucional e regulatório de maneira conjugada que atenda a estes objetivos metropolitanos.

O caso do transporte público, na medida em que se considera metropolitano, a regulação é algo mais simples, pois se trata de um serviço cujos passivos aos municípios da coroa metropolitana, são muitas vezes atenuados pela necessidade intrínseca do ato de transportar as pessoas nas duas direções seja para ir o voltar de casa ao trabalho em geral, porém sem dúvida, há que ter marcos regulatórios que não venham a ser nocivos a os municípios menores.

Em síntese, existem duas barreiras que têm que ser superadas no que são as políticas públicas com relação ao melhor aproveitamento do transporte público no desenvolvimento urbano, que são políticas compatíveis entre uso do solo com planos de transporte e gestionar e coordenar os serviços de transporte público a través de organismos supra-municipais[1].

Na mesma direção se propõe a criação de marcos regulatórios para as regiões metropolitanas[2] como a maneira de cotejar a questão operacional e legal do transporte público.


O CASO DE COPENHAGEN
   
A cidade de Copenhagen, constitui por seu "Finger Plan", um exemplo do esforço do planejamento de uma cidade a procura da cidade ideal, estruturando o crescimento urbano ao redor de linhas de via férrea, facilitando o uso deste meios principal de transporte motorizado e protegendo as áreas verdes localizadas entre os cinco corredores para onde transcorrem as vias. Eles nascem no centro de Copenhague e conforma a imagem dos dedos de uma mão.   
   
Copenhagen deveria entender-se num contexto como uma cidade relativamente grande em um país relativamente pequeno. A Grande Copenhague, localizada na Dinamarca oriental na ilha de Zelândia, tem uma população de aproximadamente 1,7 milhões de habitantes em uma nação de aproximadamente 5 milhões. Dentro dos 2.800 quilômetros quadrados, há cinco jurisdições: duas municipalidades centrais - a cidade de Copenhague e a cidade de Frederiksborg - que junto tem 500,000 residentes aproximadamente; Município de Copenhague, ao redor da cidade central, com 600,000 habitantes, e dois municípios externos, Frederiksborg e Roskilde, também com 600,000 residentes.     
   
A forma urbana e o desenho de Copenhagen são o produto de um tráfico ferroviário cuidadosamente integrado sob um desenvolvimento urbano, orquestrado  do "Plano dos Dedos" (1947) e suas subseqüentes atualizações.    
   
O crescimento urbano maior aconteceu ao longo dos cinco dedos, e até recentemente, as áreas verdes foram preservados intensivamente. Copenhagen permanece acessível facilmente por trem ao longo de todos os cinco dedos ". Muitos habitantes suburbanos vivem perto de um passeio apropriado para o pedestre ou de um passeio  com ônibus pelo o qual você pode chegar a uma estação ferroviária.    
   
O valor para criar a cidade orientada ao pedestre e a bicicleta é sublinhada pelas proporções inacreditavelmente altas de Copenhague nas viagens de acesso para as paradas do sistema de transporte de massa. Um estudo de 1994 de viagens de acesso para quinze estações suburbanas encontra como transporte dominante o caminhar para distâncias de até 1 quilômetro e registra entre 38% e 100% de viagens de acesso.    
   
A cidade de Copenhagen deu passos mais adiante durante anos passados para conter o tráfico do automóvel no centro. A decisão de dar prioridades aos pedestres e os ciclistas foi uma política de administrar a congestão. Pelo tráfico da cidade, os engenheiros procuraram para amenizar o uso do automóvel e manter a capacidade total das ruas na cidade central, constantes desde 1970. Como resultado, o tráfico medido em termos de quilômetros percorridos por ano, diminuiu 10 por cento em relação aos níveis de 1970. Além de estender o uso da bicicleta para a cidade e a criação de uma rede para o pedestre, a direção de tráfico de Copenhague deu ênfase à sinalização preferencial de caminhos reservados para os ônibus, o reagrupamento de estacionamento da rua na periferia, e a expansão e diversificação de ofertas do transporte público de massa (incluindo  os microônibus elétricos e o bonde novo). O objetivo da direção de tráfico não foi tanto remover automóveis da cidade, mas assegurar que não qualquer crescimento no número de viajantes nao seja traduzido em um aumento do tráfico do automóvel.     
   

[1]         Conclusões do I Congresso sobre Desenvolvimento Humano - Madri 2006
[2]        GOUVÊA, Ronaldo Guimarães, Políticas plurimunicipais: interesse local e interesse metropolitano, Revista da ANTP nº 111 – 3º Trimestre de 2006

miércoles, 19 de octubre de 2011

O METRÔ EM CURITIBA





O transporte público pode ser visto como talvez o principal indutor do que chamamos “novo ordenamento territorial das cidades[1]” em conseqüência ao influir de maneira acentuada na transformação socioeconômica desta mesma cidade. Significa que, sistemas de transporte público de massa, que respondem por elevados porcentuais da demanda diária da mobilidade nos âmbitos urbanos, presumivelmente seriam dos mais incidentes nesta dinâmica urbana determinada pela mobilidade.

O conceito TOD (Transit Oriented Development), trata-se de uma política pública, quando o Estado programa uma rede de infra-estrutura básica, priorizando o transporte público em relação aos veículos individuais; juntamente com uma política de uso misto do solo, permitindo comércios e serviços vicinais em meio às áreas residenciais.

Em estudo anterior[2] ficou comprovado que ao longo das três últimas décadas, houve aumento de valores imobiliários em determinadas zonas de Curitiba, particularmente nos eixos estruturais, definidos pelo Plano Diretor de 1966 como é o caso da Conectora 5, que até 1970 era uma zona "quase" rural e que por decisão da implantação de um corredor de transporte de passageiros, associado a um jogo de interesses privados, teve um “boom” urbanístico, no qual, deu-se a acumulação de capital, por meio da concentração da propriedade do solo e pela aposta clara na valorização da zona.

Em Curitiba, o sistema de transporte coletivo de passageiros, eficiente - ainda que do ponto de vista operativo/financeiro - apoiado em idéias de uso do solo e transporte coletivo integrados, com o crescimento linear ordenado e zonificado segundo eixos estruturais, constituindo geralmente de edifícios de apartamentos de classe media alta, antagonicamente segue incrementando o uso do veículo privado.

Estes estudos anteriores concluem que efetivamente Curitiba apresenta contradições, pois a imagem que se produz é a de uma cidade sustentável, justa, ecologicamente correta e com um sistema de transporte de primeiro mundo. A eficiência do sistema de transporte, está baseada na transferência e concentração de capital dos trabalhadores às empresas de transportes (concessões privadas a partir de 2010) e é produzido majoritariamente feito através do uso do vale transporte, que de uma maneira, cumpre seu papel social, o mais, é tudo “city-marketing” daqueles que implantarão o "plano" ficaram em poder da exclusividade do desenho da cidade e dos privilégios das decisões e das concomitantes informações que se possa valer.

Os princípios do TOD (Transit Oriented Development) são:

·                    Organizar o crecimiento a nivel regional, de maneira compacta e sustentável para a mobilidade.
·                    Localizar os usos comerciais, habitacionais, laborais, recreativos (parques) e cívicos, a distancias que se possa ir caminhando das estações do sistema de transporte (Transit Stops).
·                    Criar redes de vias "amistosas" para o pedestre, e que conectem destinos locais e atrativos.
·                    Prover uma diversidade de moradias quanto à tipologia, densidade e custo.
·                    Preservar “habitats” ecologicamente frágeis e espaços abertos de grande qualidade ambiental.
·                    Fazer dos espaços públicos, o foco de orientação de edifícios e das atividades dos bairros.
·                    Promover a renovaçao urbana.

Convém ressaltar, que em Curitiba, os instrumentos adotados para a valoração dos imóveis para fins de tributação[3], não aportam na sua composição, nenhum indicador pela eventual proximidade à estações de transporte público nem mesmo aos eixos estruturais do sistema da RIT.

Igualmente, estudos de mercado imobiliário recentemente realizados, estabelecem como critérios para valoração das novas promoções, uma lista de 28 atributos[4] que têm influencia direta no seu valor, sem sequer considerar o transporte público.

As influências da proximidade à RIT deveriam ser mais bem aproveitadas pela cidade, sendo ainda facilitada a ocupação mais adensada e mesclada – seria a potenciação dos 3D (Densidade, Diversidade e Desenho[5]) nas vizinhanças das paradas, bem como pela taxação diferenciada tendo em vista o maior valor efetivo destes pontos, de maneira a repercutir na cobrança dos impostos imobiliários e subseqüentes possibilidades de financiamentos entre novas zonas urbanizadas e a Rede de Transporte Público e vice-versa.

Para tanto, haveria que reconhecer os dois maiores implicados (a prefeitura municipal e o mercado imobiliário – a través de ADEMI) potenciação existente pelo transporte público no momento da promoção imobiliária. Quer dizer, a flexibilização  de potencialidades e usos do solo  e sua respectiva valorização por este fato.

Com isso, poderiam ser criadas políticas de melhorias na qualidade do transporte, que bem seriam financiadas com a elevação da receita pelo incremento dos valores dos preços-base para a cobrança dos impostos imobiliários, além de eventual aumento da alíquota para estas zonas, produzindo com isto, um novo atrativo aos vizinhos, visto que em nossos estudos precedentes parecem não utilizar tanto o transporte público que passa em frente de suas residências e sim veículo privado.

Assim sendo, nos somamos aos autores que não consideram Curitiba, como adotando o conceito TOD, uma vez que se por um lado os eixos estruturais e as conectoras que tem taxas e potenciais construtivos bastante elevados e usos igualmente diversificados, por outro lado, não promovem a mescla de tipologia habitacional em termos de densidade e custos – vimos que os preços imobiliários e as rendas são bastante homogêneas em todas as estações que analisamos, embora heterogêneas entre si – e tão pouco organiza o crescimento a nível regional, de maneira compacta e sustentável para a mobilidade, pois sendo linear e integrado e uma vez que o custo do solo diminui à medida que nos afastamos do núcleo, não existe compacidade na estrutura urbana e sim a dispersão.

Com a aplicação destas medidas, poderia ser facilitado o subsidio do diferencial do custo operacional para a implantação de um novo modal (metrô) em substituição ao atual (BRT), que é de quatro vezes aproximadamente (R$ 199 milhões e R$ 50 milhões respectivamente para o trecho ora proposto de 14 km que substituiria o tramo Sul do eixo N-S da RIT), caso contrário será praticamente impossível manter a tarifa nos valores atuais, havendo a integração com a RIT e sem aplicação de subsídios.

Novas linhas de alta capacidade deveriam, portanto, adequarem-se às pautas do TOD. Deveriam ser implantadas em zonas cujo potencial construtivo pudesse ser aproveitado com seu conseqüente aumento possibilitando mescla de usos e sobretaxando os valores dos seus impostos, visto a eminente valorização dos mesmos frente a imóveis que não estão tão próximos às estações do transporte público de grande capacidade, como o estudo realizado comprovou existir.

Não haveria “benesses” e sim seria algo mais justo e honesto. O imóvel ganharia potencial construtivo e seu proprietário de um momento a outro veria seu imóvel valorizado no mercado. Em contrapartida, ao edificar-se o novo empreendimento, as unidades resultantes do mesmo (mais valorizadas e com maior possibilidade de contínua valorização) pagariam maiores alíquotas tributárias por isso. Este imposto serviria para financiar parte da implantação e subseqüente manutenção da linha de Transporte Público de grande capacidade.

Como costumam afirmar na URBS, “não existe almoço grátis” mas quem está pagando a conta não é quem deveria pagá-la e com a implantação de pautas realmente direcionadas a políticas públicas de transporte e uso do solo, poderia ser revertida a questão, além é claro que no caso brasileiro (e Curitiba não é exceção) as empresas de transporte são privadas e o repasse de subsídios é algo muito complexo e por vezes sem uma correta fiscalização dificilmente fossem usados de forma a atender os interesses dos usuários do TP.



[1]           BOARNET, MARLON G. (2001) - Travel by Design : The Influence of Urban Form on Travel  - OXFORD UNIVERSITY PRESS
[2]          GHIDINI, ROBERTO Jr., 2009 - Aprendiendo una lección de Curitiba. Efectos perversos de una política orientada al transporte público y al medio ambiente. DuyOT - Cuadernos de Investigación Urbanística - Ci[ur] 67 - Simposio de la Serena 2009 [3/6]. Desarrollo, ciudad y sostenibilidad. Em: http://www.aq.upm.es/Departamentos/Urbanismo/publicaciones/ciur67_15.html
[3]          DECRETO N.º 1.503 - Regulamenta a “Lei Complementar n.º 40/2001”, estabelecendo os critérios de cálculo do valor dos imóveis de Curitiba, para efeito de cobrança dos impostos imobiliários.
[4]           1.Garagem, 2. Dormitórios, 3.Banheiros, 4.Lavabo, 5. Sacada, 6. Aquecimento Piso, 7.Churrasqueira, 8. Aquecimento Churrasqueira, 9.Lareira, 10. Aquecimento, Lareira, 11. Aquecimento Água, 12. Núm. Elevadores, 13. Bosque, 14. Lan House, 15. Salão de Jogos, 16.Espaço Gourmet, 17. Aquecimento           Salão Festas, 18. Piscina, 19. Piscina Aquecida, 20. Sauna, 21. Aquecimento, 22. Quadra, 23. Pista para caminhada, 24. Brinquedoteca, 25. Playground, 26. Fitness Center, 27. SPA, 28.Medidor de Gás individualizado.
[5]           SESKIN e CERVERO, 1996, faz referências aos 3D como sendo as principais variáveis a serem incrementadas e desenvolvidas para obter melhor integração entre uso de solo e transporte público.